terça-feira, 2 de outubro de 2012

Projeto: Pequenos investigadores:Observar para conhecer Parte 1

Projeto: Pequenos investigadores: Observar para conhecer

Durante este ano, a turma do II Período Matutino da professora Cleide Simone Voelz decidiu investigar em seu projeto o universo dos insetos. Desta forma, segue abaixo maiores informações sobre esta viagem.


Justificativa

      "Curiosidade é uma coceira que dá nas ideias”. Sábias palavras de Rubem Alves, que descrevia sobre a enorme vontade que a criança tem em descobrir e desvendar algo. A criança é curiosa por natureza, especialmente por tudo aquilo que se mexe, que é engraçado, esquisito, que incomoda e que assusta. Que surge sobrevoando suas cabeças enquanto pintam ao ar livre. Gritos, risadas e espanto, o que seria aquele ser voando, um besouro? Um bicho esquisito? Uma libélula? Um bicho do Japão como disse Matheus ao encontrar uma apáca? Mas o que são? De onde vêm? Como vivem e se reproduzem? Onde moram? Por que assustam? Sabemos muito pouco sobre eles e por isso, temos tanto medo e receio. O que diríamos então das formigas que visitam nossa sala? E das joaninhas que logo na segunda semana de atendimento foram encontradas e trazidas por duas crianças entre seus pequenos dedos?
      A primeira reação do grupo quase sempre é de espanto, gritos, porém curiosidade em observar mesmo que seja de longe, aquele pequeno ser que foi encontrado. E sempre tem aquele valentão que acaba pisando e matando um ser tão pequenino e desprotegido. Está certo o que fez? Devemos matar os insetos? O que acontece na natureza ao matarmos os insetos? Conforme o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 188): O trabalho com os seres vivos e suas intrincadas relações com o meio oferece inúmeras oportunidades de aprendizagem e de ampliação da compreensão que a criança tem sobre o mundo social natural. A construção desse conhecimento também é uma das condições necessárias para que as crianças possam, aos poucos, desenvolver atitudes de respeito e preservação à vida e ao meio ambiente, bem como atitudes à sua saúde.
      Desse modo, o projeto surge por meio da observação do grupo e seu interesse por pequenos insetos que aparecem nos momentos e lugares menos esperados. E, se desenvolverá através do contexto e interação do sujeito com o meio o qual está inserido.

Objetivos Gerais:
• Oportunizar vivências significativas em relação à investigação da vida dos insetos e suas características;
• Desenvolver uma postura investigativa através da observação e pesquisa científica;
• Ampliar os conhecimentos, buscando fazer uso de livros de pesquisa e de outras fontes de informação;
• Construir um insetário como fonte de pesquisa e conhecimento;
• Participar de pesquisas de campo, passeios e visitas para estudo;
• Criar cartazes com imagens e textos para exposição dos conhecimentos adquiridos;
• Participar de conversas, debates e seminários para discussões sobre o tema pesquisado;
• Adquirir autonomia e espontaneidade para observar, pesquisar e expor os conhecimentos adquiridos.

Culminância:
      A finalização do Projeto contará com uma exposição dos insetos coletados, pesquisados e catalogados em forma de insetário, além de cartazes demonstrativos e explicativos sobre cada estudo realizado, bem como contribuições das crianças sobre os conhecimentos adquiridos ao longo do processo de investigação.

Avaliação:
      Para orientar a avaliação do projeto serão utilizados como parâmetros, diversas perguntas, dentre as quais:
• Quais conhecimentos o grupo possuía no início do projeto?
• O grupo desenvolveu uma postura investigativa ao longo do projeto?
• Houve aprendizado significativo nos momentos de pesquisa e investigação?
• O grupo demonstrou participação espontânea durante o desenvolvimento do projeto?
• Houve mudanças nos registros das crianças em relação ao início do projeto?
• Quais foram os conhecimentos adquiridos pelo grupo na finalização do processo?

Referência:
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Vol. 3. Brasília: 1998.

Conhecimentos prévios da turma sobre a temática do projeto


      O projeto "Pequenos Investigadores: Observar para Conhecer" tem como objetivo principal desenvolver um olhar investigativo nas crianças oferecendo iniciação em pesquisas científicas. Enfatizamos as coletas de informações em livros, observações de insetos verdadeiros, pesquisas em sites de biologia e utilização de instrumentos de auxílio como lupas e pinça de observação.
      Iniciamos destacando os conhecimentos que a turma possuía em relação ao assunto. A maioria do grupo relata o nome de vários insetos e não insetos como joaninha, borboleta, formiga, centopeia, libélula, pernilongo, grilo, minhoca, piolho, abelha, piolho de cobra. Barata e aranha foram os mais citados.
      Gabriel comenta “o pernilongo morde o corpo da gente e faz mal” e Amanda aproveita o comentário dizendo “tira o sangue da gente”. O questionamento maior acontece quando a centopeia foi citada entre os bichos.
      Quantas pernas ela tem? Pergunto, “quatro” responde Maria Vitória, Júlia ri e diz “é 29 patas”. Deixo a questão em aberto e peço para pesquisarem com os familiares e, assim iniciou-se nossas pesquisas.
      Desse modo, fomos organizando os saberes de acordo com as curiosidades da turma, ou seja, todos contribuíam com as informações conhecidas, depois pesquisávamos para conferir os conhecimentos compartilhados.
      A participação da família é um dos fatores importantes, pois é de casa que a criança traz muitos de seus saberes, e quanto mais à família contribuir e auxiliar a criança, maior será seu desenvolvimento e consequentemente sua participação ativa na Instituição de Ensino.

Registro dos insetos que conhecem

      No primeiro momento, o grupo foi convidado a observar os insetos trazidos pelas crianças. Após observação, cada criança foi encorajada a relatar como, onde e quem ajudou a capturar o inseto trazido por ela. Neste primeiro contato com os insetos, o grupo analisou o que mais chamou sua atenção, utilizando materiais de auxílio como uma pinça para que pudessem pegá-los e uma lupa para melhor visualização dos mesmos.
      Para finalizar, o grupo registrou seus conhecimentos e curiosidades através de desenhos. Em uma folha sulfitão, as crianças se reuniram em pequenos grupos e decidiram o que queriam saber e quais insetos iriam pesquisar no decorrer do projeto. Os materiais para desenhar ficaram a livre escolha, desta forma, além de desenvolverem a autonomia estariam utilizando materiais de seu gosto, tornando a atividade mais prazerosa.

O que a turma aprendeu:
      À medida que as crianças iam chegando, nossa expectativa crescia em relação aos insetos que iriam aparecer. Eis que surge Gabriel segurando um vidro na mão. Digo: “Olha turma! O Gabriel trouxe algo”! E o grupo todo se aproxima para ver o que era. O Gabriel trouxe uma borboleta (mariposa) morta e, vai logo dizendo: “eu descobri que ela tem 4 asas”. Pergunto: “E onde você a encontrou”? Gabriel: “Lá em casa, meu pai me ajudo”.
      As crianças observaram a borboleta que o Gabriel trouxe, utilizando a lupa e a pinça para poder pegá-la. Conforme o vidro foi passando de mão em mão, as crianças iam complementando as observações.
      João Vitor, Amanda e Willian dizem: “ela tem 4 pernas e 4 asas”. As crianças têm a impressão de quatro asas devido à separação das asas anteriores e posteriores. Percebem as asas separadas e não como um todo.
      Cauãn Victor diz “ela tem 2 patas”. As crianças compreendem como patas, apenas as posteriores, ignorando as anteriores e medianas as quais se localizam mais à frente do tórax. Cauãn Victor observa cuidadosamente a borboleta e traz um questionamento para o grupo perguntando: “ela era uma lagarta”?
      A partir daí fomos destacando as incertezas das crianças em relação à borboleta:
      Júlia, depois de muito observar o inseto, pergunta “não tem boca nem olho”?
      Heloise demonstra tristeza ao ver a borboleta dentro do vidro e diz, “ela vua”?
      Já Jennifer acreditava que por voar, as borboletas não tinham patas e diz “eu descobri que ela tem patas”.
      Sara e Laísa referem-se às antenas como orelhas dizendo “ela tem 2 orelhas”. Laísa complementa suas observações “eu descobri que ela tem 2 asas, do lado e no meio e 3 olhos”. Laísa está se referindo ao ocelo, que é um terceiro olho simples no alto da cabeça.
      Fillippe observando que a borboleta está morta faz sua colocação no passado “ela tinha um olho e 2 perna”. Leonardo faz seu comentário gesticulando com as mãos para demonstrar o tamanho da cabeça da borboleta “tem a cabeça bem grandinha” e, Eduardo admira-se com o inseto “meu! Que legal ela, tem 4 patas”.
      Ao final da observação, sugiro a realização de desenhos como forma de registrar o que já sabemos e o que queremos saber. Atividades em grupo auxiliam na divisão de espaço, respeito com o colega, opiniões, cooperação e as trocas de ideias são fundamentais neste momento.
      Julia, Amanda e João Vitor, formam um dos grupos. As meninas ajudam João Vitor a desenhar borboletas.
      Gabriel e Willian outro grupo. Willian mostra seu desenho dizendo “é borboleta e meu nome e o Céu”. Gabriel “é um sapato de inseto. Louco esse sapato de inseto” também desenhou sua borboleta morta.
      Cauãn Victor e Sara desenham joaninhas e Maycon borboletinhas.
      Pergunto ao Eduardo o que desenhou, ele diz “uma joaninha e uma lesma”. Laísa e Maria Vitória também respondem a minha pergunta “centopeias e borboletas”. Maria Vitória, enquanto desenha, ouve Leonardo dizer que ilustrou um sapo. Vira-se para ele e com as mãos na cintura diz com tom de indignação: “e sapo é inseto por acaso”?
      Leonardo faz desenho de um sapo e uma borboleta. Jennifer desenha uma borboleta.
      Heloise vai mais longe e diz que desenhou: “foi (flor) um inseto na foi (flor)”, Fillippe “fiz umas lemas, uma lagarta e uma balata”.
      Podemos perceber nas falas das crianças quantas são as incertezas e as curiosidades do grupo. O envolvimento nos momentos de trabalhos coletivos facilita o processo de ensino-aprendizagem, possibilitando um maior progresso cognitivo, linguístico, social e comportamental.
      Desse modo, esse primeiro contato da criança com o inseto certamente despertou o interesse por parte de todos os envolvidos. E as representações através de desenhos demonstraram o real envolvimento do grupo com a investigação e a pesquisa.
      Sans (1995) afirma que a criança quando desenha, desempenha grande concentração. E o fato de seus desenhos serem representados de forma simplificada é por que ela desenha o que realmente lhe interessa e chama a atenção, ou seja, o que considera ser importante.










Observação dos insetos e escolha do primeiro a ser pesquisado



      O grupo foi convidado a observar todos os insetos que já temos em sala e escolher um deles para iniciar a pesquisa científica. Fizeram uma lista com os questionamentos a serem respondidos ao longo do projeto e, deixamos exposta na sala para que possamos todos os dias ler e investigar o que ainda não sabemos. O cartaz foi escrito em cartolina, com canetão em letras maiúsculas para melhor identificação das letras e palavras.

O que a turma aprendeu:
      Após observarem os insetos da sala, cada criança expôs qual inseto gostaria de investigar primeiro e qual sua curiosidade sobre o inseto.
      Gabriel queria pesquisar sobre a borboleta que trouxe e disse: “quero saber sobre as asas”, Maycon também tem interesse pelas asas e complementa: “como as asas ficam grandes?”, Cauãn Victor demonstra curiosidade sobre um besouro e diz: “besorinho, onde ele mora”?
      Willian mostrou interesse por um inseto nocivo e perguntou “barata faz mal pras pessoas?”, Heloise também mostrou curiosidade sobre o mesmo inseto “barata, quem come barata?” referindo-se aos predadores.
      O fato de a barata ser um inseto que assusta e nojenta aos nossos olhos, diversas crianças se interessaram em realizarem investigações sobre ela. Fillippe diz “barata, o que come?”, Leonardo enfatizou sua curiosidade “porque ela fica em lugar nojento e por que tem espinho na perna”?
      Eduardo parece gostar da ideia de pesquisarmos tal inseto e expõe sua dúvida dizendo “barata, por que ela é muito nojenta”? Laísa evidenciou muitas dúvidas “quero estuda a borboleta. Como ela consegue voar, o que come, o que ela faz e quando é macho”? Jennifer, assim como outras crianças do grupo, selecionou a borboleta como primeiro inseto a ser pesquisado e diz “borboleta, ela morde”?
      João Vitor, Júlia e Amanda também têm preferência pela investigação das borboletas em primeiro lugar, trazendo levantamentos como: se ela tem olho e boca e se também tem espinhos nas patas como as baratas.
      Uma vez que cada criança optou por um inseto diferente do outro, sugeri que contássemos os insetos escolhidos pra ver qual estava em quantidade maior. No final da contagem, houve empate entre barata e borboleta, mas Cauãn Victor foi o único que escolheu besouro.
      Peço então para que desempatem, escolhendo um dos insetos para pesquisarem primeiro. O grupo agitou-se nesse momento, algumas crianças gritavam dizendo o nome dos insetos de sua preferência. Cauãn Victor observa tudo rindo até que diz: “eu quero borboleta”. Algumas crianças ficam insatisfeitas, Leonardo até diz baixinho “eu não vou fazer nada de borboleta”.
      Peço para o grupo um momento de atenção e expliquei que não conseguiremos pesquisar todos os insetos ao mesmo tempo, e que a barata será o próximo inseto a ser pesquisado já que foi o inseto mais escolhido em 2° lugar.
      Para finalizar, as crianças citam os questionamentos para serem escritos no cartaz, os quais serão pesquisados e investigados pela turma no decorrer do projeto.
      Sendo assim, o grupo apresentou-se interessado nas pesquisas a serem realizadas, compartilhando nesse primeiro momento seus saberes, aguçando ainda mais o interesse por uma investigação científica.







Nenhum comentário:

Postar um comentário