terça-feira, 2 de outubro de 2012

Projeto: Pequenos investigadores:Observar para conhecer Parte 3

Uma lagarta em nossa sala

      Recebemos uma pequena lagarta de uma das professoras para nossa investigação. Este inseto permaneceu em nossa sala, sendo alimentado até chegar ao estágio de pupa que ocorre antes da transformação total do casulo, para depois acontecer à metamorfose e, por fim virar uma borboleta que foi solta assim que estava preparada para voar. Durante esse tempo, as crianças puderam observar, pesquisar, investigar e acompanhar esse processo tão curioso.

O que a turma aprendeu:
      Poder acompanhar e observar todas as etapas do ciclo de vida de uma borboleta, certamente foram os dias mais significativos para o grupo. A lagarta chegou ainda pequena para nós, explico às crianças que provavelmente ela havia deixado seu ovo há uns dois dias.
      Nessa ocasião o grupo passa a maior parte do tempo observando a lagarta comer, utilizando as lupas, para poderem ver bem de perto. Todos os dias ao chegarem às crianças procuravam a lagarta para ver como ela estava. Depois de cinco dias comendo muito, ela se posicionou em um dos galhos e permaneceu imóvel. Heloise observa que a lagarta está em cima do armário e pergunta, “tedi (Cleide), tá mota? (está morta?)”. Nesse instante o grupo se aproxima do armário esperando uma resposta. Não, respondo. Ela está se preparando para fazer a casa dela, como se chama mesmo? “Casulo” responde Laísa. Júlia olha para Laísa e pergunta “ela vai entra na casa”? Laísa responde “não, ela faz o casulo aos poucos, devagar”.
      Pego o recipiente onde está a lagarta e podemos observar um pequeno fio de cor escura que já envolve o corpo da lagarta, segurado junto ao galho. Nesse estágio, a lagarta se encontra vulnerável e necessita de tranquilidade, para isso a deixamos em cima do armário da sala.
      Ouvimos a história “Uma lagarta muito comilona”, ao final da contação Júlia diz “Profe, o autor fez certo. Desenhou as 6 patas nela”. Voltamos algumas páginas e verificamos que a observação da Júlia estava correta. Eu iria sugerir para darmos um nome para a lagarta, mas fui interrompida novamente por Júlia que parecia estar em sintonia comigo. Ela diz “já sei! Vamos dar um nome”. Amanda não concorda e levanta-se dizendo “temos que esperar ela virar borboleta pra saber se é menino ou menina”.
      Dois dias depois a lagarta se encontrava em seu estágio de pupa (casulo jovem), permanecendo por dezesseis dias até que a metamorfose aconteceu por completo. Com a lupa as crianças puderam observar melhor tal transformação e as expressões de surpresa eram nítidas em cada uma delas, diziam “nossa!”, “uauuuu”!
      Então no décimo sexto dia, a borboleta sai de dentro de seu casulo aproximadamente às 15 horas e 30 minutos. Permanece mais dois dias secando suas asas, quando se mostra preparada totalmente para seguir em sua nova etapa da vida. Resolvemos então soltá-la para que possa dar continuidade ao ciclo reprodutivo naturalmente.







Registro através de desenho


      Na roda da conversa relembramos o ciclo reprodutivo e importância dos insetos na natureza. Em seguida, enfocamos o desenvolvimento e reprodução da borboleta, observando nossa lagarta que se encontrava na sala. Propus ao grupo a escolha de um nome para a lagarta, finalizando com o registro da atividade através de desenhos.

O que a turma aprendeu:
      Desenhar é uma das formas que a criança demonstra todos seus saberes, conhecimentos, dúvidas e inquietações. É através de seus riscos e rabiscos, que evidenciam e percebem o mundo ao seu redor.
      Sara diz “olha! Eu fiz o ovo e a lagartinha saindo do ovo”. Leonardo desenha não só ovos de borboleta, mas também uma árvore na qual se encontra os ovos. Leonardo diz que são ovos de “rugo, aquela que queima” alguma lagarta suponho.
      O grupo desenha lagartas, ovos e borboletas além de outros insetos. Enquanto desenham trocam informações entre si, o que é fundamental para o processo de aprendizagem do grupo. Érick se mostra detalhista no seu desenho, tendo o cuidado de representar e diferenciar o solo do gramado na qual se encontra a lagarta que caminha em direção a árvore. Onde sua lagarta está indo, pergunto. Érick responde: “bota ovo na árvore”.
      Victória procurou desenhar todo o ciclo de reprodução da borboleta e disse: “aqui é o ovo, a lagarta e a borboleta”, apontando cada um de seus desenhos.
      Júlia faz uma representação de um verdadeiro jardim, utilizando a cor verde na maioria de seu desenho. “O que você está desenhando”? Pergunto: “as borboletas e lagartas”. Júlia desenhou para cada lagarta, uma borboleta, não deixando de lado a representação de onde elas estavam que era uma árvore.
      Assim como outras crianças, Gustavo representou o ciclo de reprodução da borboleta, desenhando uma árvore onde está uma larva saindo do ovo e, voando ao lado, uma borboleta.
      Eduardo faz uma grande borboleta toda colorida, voando ao lado de uma árvore onde estão os ovos e uma lagarta. Heloíse, Laísa, Nikolas e Willian, do mesmo modo fazem seus desenhos mostrando o processo de reprodução da borboleta.
      Através dos registros gráficos as crianças demonstraram entendimento no que diz respeito às etapas de reprodução do inseto em questão.





Cartaz com sugestões de nomes para a borboleta



      Na roda da conversa, relembramos algumas sugestões de nomes para a lagarta. Montamos o cartaz “deixe sua sugestão de nome para nossa lagarta”.
      O cartaz ficou exposto no corredor onde pais, professores e funcionários também puderam deixar suas sugestões. Ao final da semana, retiramos o cartaz, lendo os nomes e realizando uma votação para a escolha.

O que a turma aprendeu
      Fillippe estava apreensivo para dizer o nome que sua mãe sugeriu “Rosinha” diz ele, é o primeiro a escrever no cartaz. Júlia e Jennifer vêm em seguida e dizem: “Profe, já sabemos o nome”, “João e Maria” diz Júlia, “Totó” fala Jennifer.
      Gustavo gosta do nome Rosinha e o escreve novamente. Ao escrever percebo que a distância que deixa entre uma letra e outra são iguais e suas letras são escritas legivelmente.
      João Vitor escreve a palavra borboleta, diz que gostaria que ela fosse chamada dessa forma. Já Nikolas sugere o nome “baratadasicer”. Pergunto de onde tirou esse nome e ele responde: “do meu pensamento”.
      As crianças vão escrevendo os nomes um embaixo do outro fazendo uma lista. Solicito às crianças que ainda não deram sua sugestão que escrevam com seus pais, uma vez que o cartaz permanecerá no corredor até sexta-feira para que todos possam participar.







Votação para o nome da borboleta


      Em roda lemos todas as sugestões de nomes. Em seguida, os nomes foram escritos na lousa para melhor identificação das letras. Na sequência, as crianças escreveram em pequenos pedaços de papéis, o nome de sua preferência.
      Orientados que o voto é secreto, após escreverem, os papéis foram dobrados e depositados em uma caixa para serem contados. Expliquei que caso houvesse empate, realizaríamos outra votação até desempatar.

O que a turma aprendeu:
      Assim que iniciei a leitura dos nomes do cartaz, a turma caiu na gargalhada. Achavam graça em todos os nomes e a dúvida continuava em escolher um nome masculino ou feminino. Digo às crianças que para saber se é macho ou fêmea, teremos que realizar uma pesquisa mais profunda na próxima semana.
      Depois de todos os nomes serem escritos no quadro começamos a votação. Cada criança escreveu em um pedaço de papel o nome que mais gostou, colocando seu voto dentro de uma pequena caixa.
      A cada voto aberto os olhinhos brilhavam para saber qual seria o nome escolhido. E a cada nome lido, os gritinhos tomavam conta da sala. Houve um empate entre Baratadasicer, Nick e Totó com 2 votos cada um.
      Em outro momento, realizamos o desempate com mais uma votação. Laísa disse “eu não vim, posso dar o nome que eu escolhi? É Néri”, então o grupo concordou em colocar o nome na votação.
      A votação foi bem divertida e um sucesso. O nome escolhido foi Totó com 8 votos. Néri ficou com 5 votos, Nick com 2 votos e Baratadasicer com 3 votos.
      Uma vez que o nome escolhido pela turma do vespertino é Hanna Montana e Totó pela turma do matutino, sugeri que se a borboleta for macho seria Totó e, se fêmea seria Hanna Montana. Érick, Jennifer e Júlia ficam em dúvida e pedem para mudar o voto. Mas, uma vez colocado dentro da urna (caixinha utilizada), não se pode mais mudar e, por isso temos que pensar bem antes de realizar a votação, assim como as pessoas em época de eleições como acontecerá ainda esse ano.


Análise das espécies de borboletas

      Apresentamos ao grupo, imagens de borboletas de várias espécies, destacando cores, formas, camuflagem e características que diferenciam os machos das fêmeas, respondendo assim uma das dúvidas do grupo. Nesse primeiro momento, o grupo explorou as imagens citando o que mais chamou a atenção.

O que a turma aprendeu:
      Inicio a conversação com uma pergunta: “como as borboletas se reconhecem na natureza”? O grupo não se manifesta, então pergunto: “o que há de diferente entre uma e outra”? Júlia diz “a cor”. Sim, a cor das asas é uma das características que diferenciam os machos das fêmeas e também de uma espécie para a outra. Espécies são como famílias, explico. Cada borboleta pertence a uma espécie. Mas há outras características que são o cheiro, as formas, o tamanho e as veias que se encontram nas asas.
      Em seguida, imagens de borboletas variadas são distribuídas pelo chão para observação. João Vitor e Fillippe dizem “achei”, comparando as imagens de borboletas disponíveis com as que se encontram no cartaz de borboletas e mariposas. Sara observa uma das imagens e diz “essa é uma borboleta joaninha, por causa das pintinhas pretas”.
      O grupo sugere que as imagens sejam fixadas no chão, deixando nossa sala com “muitas borboletas”, diz Gustavo.
      Ao observar as imagens Nikolas diz “esse é macho, por que tem a cor preta”. Já Leonardo diz que as borboletas azuis são machos e as que possuem cores vermelhas e rosas são fêmeas e, ainda conclui dizendo: “oh Pro! Já sei... As borboletas mais espertinhas são machos e as outras são fêmeas”.



Nenhum comentário:

Postar um comentário