quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Projeto: Pequenos investigadores:Observar para conhecer Parte 3

Uma lagarta em nossa sala


      Recebemos uma pequena lagarta de uma das professoras para nossa investigação. Este inseto permaneceu em nossa sala, sendo alimentado até chegar ao estágio de pupa que ocorre antes da transformação total do casulo, para depois acontecer à metamorfose e, por fim virar uma borboleta que foi solta assim que estava preparada para voar. Durante esse tempo, as crianças puderam observar, pesquisar, investigar e acompanhar esse processo tão curioso.

O que a turma aprendeu:

      Poder acompanhar e observar todas as etapas do ciclo de vida de uma borboleta, certamente foram os dias mais significativos para o grupo.
      A lagarta chegou ainda pequena para nós, explico às crianças que provavelmente ela havia deixado seu ovo há uns dois dias. Nessa ocasião o grupo passa a maior parte do tempo observando a lagarta comer, utilizando as lupas, para poderem ver bem de perto a mastigação.
      O grupo ficou impressionado ao ver como a lagarta comia. No meio da tarde, o Gustavo grita para a turma dizendo: “ei, ela ta fazendo coco”. E realmente estava. Milena observou as bolinhas que estavam no fundo do recipiente e perguntou “tudo isso é coco?”
      O recipiente com a lagarta ficou em cima da mesa junto com os demais insetos que, foram esquecidos pela turma que agora só tem olhos para a lagarta.
      Todos os dias ao chegarem às crianças procuravam a lagarta para ver como ela estava. Depois de cinco dias comendo muito, ela se posicionou em um dos galhos e permaneceu imóvel.
      No quinto dia observamos um pequeno fio de cor escura que já envolvia o corpo da lagarta, segurando-o junto ao galho. Nesse estágio, a lagarta se encontrava vulnerável e necessitava de tranquilidade, por isso a deixamos em cima do armário da sala.
      Dois dias depois a lagarta se encontrava em seu estágio de pupa (casulo jovem), permanecendo por dezesseis dias até que a metamorfose aconteceu por completo.
      Com a lupa as crianças puderam observar melhor tal transformação e as expressões de surpresa eram nítidas em cada uma delas, diziam “nossa!”, “uauuuu”!
      Então no décimo sexto dia, a borboleta saiu de dentro de seu casulo aproximadamente às 15 horas e 30 minutos. Permanecendo mais dois dias secando suas asas, se mostrou preparada para seguir em sua nova etapa da vida.
      Resolvemos então soltá-la para que pudesse dar continuidade ao ciclo reprodutivo naturalmente.



Registro através de desenho



      Na roda da conversa relembramos o ciclo reprodutivo e importância dos insetos na natureza. Em seguida, enfocamos o desenvolvimento e reprodução da borboleta, observando nossa lagarta que se encontrava na sala. Propus ao grupo a escolha de um nome para a lagarta, finalizando com o registro da atividade através de desenhos.

O que a turma aprendeu:
      Luiz Gustavo trouxe dois insetos. Assim que chegou tirou-os da mochila e orgulhoso mostrava para a turma. Andava pela sala com os vidros nas mãos e de repente disse: “ei! Posso vê?”, referindo-se ao uso da lupa.
      Em outro momento, relembramos o ciclo de desenvolvimento da borboleta e, na sequência a turma registrou seus saberes através de desenhos. Maria Eduarda falou: “Profe! Eu esqueci quantas patas tem os insetos”. Disse ao grupo “crianças, a Maria Eduarda fez uma pergunta” e, a turma respondeu em coro: “seis”.
      O grupo desenhou as etapas do processo de transformação da borboleta, isso mostrou que a observação é fundamental para que a criança apreenda informações. O grupo mostrou conhecimento no que diz respeito às etapas de transformação da borboleta. Mariana disse: “tem o corpo dividido em três partes”, Gustavo, Matheus, Bianca entre outros responderam ao mesmo tempo “cabeça, tórax e abdome”.
      Acredito que o projeto está desenvolvendo nas crianças um olhar mais sensível em relação à preservação do meio ambiente e respeito com animais, bem como a investigação.






Cartaz com sugestões de nomes para a borboleta



      Na roda da conversa, relembramos algumas sugestões de nomes para a lagarta. Montamos o cartaz “deixe sua sugestão de nome para nossa lagarta”.
      O cartaz ficou exposto no corredor onde pais, professores e funcionários também puderam deixar suas sugestões. Ao final da semana, retiramos o cartaz, lendo os nomes e realizando uma votação para a escolha.

O que a turma aprendeu:
      No primeiro momento, a turma observou o cartaz com as sugestões de nomes que as crianças da turma do Matutino escreveram. Algumas diziam os nomes que seus pais ajudaram a escolher. A turma se organizou em pequenos grupos para escreverem no cartaz, Bianca ao escrever observou os outros nomes e disse: “nossa! Tem gente que escreve tão grande”.
      Carolina, João, Borboleta, Duda, Docinho, Lilica, Anco, João da Silva foram uns dos muitos nomes sugeridos. O cartaz permaneceu durante a semana no corredor para que outras pessoas pudessem também dar sua opinião de nome a nossa lagarta.
      O contato com o letramento é fundamental para que as crianças inicie o processo de escrita sem cobranças.






Votação para o nome da borboleta



      Em roda lemos todas as sugestões de nomes. Em seguida, os nomes foram escritos na lousa para melhor identificação das letras. Na sequência, as crianças escreveram em pequenos pedaços de papéis, o nome de sua preferência.
      Orientados que o voto é secreto, após escreverem, os papéis foram dobrados e depositados em uma caixa para serem contados. Expliquei que caso houvesse empate, realizaríamos outra votação até desempatar.

O que a turma aprendeu:
      Expus os nomes do cartaz para a turma que ria muito ao ouvir a pronúncia de cada nome. Em seguida, digo como faremos a votação e Maria Heloiza diz: “é um sorteio”. Digo que é quase isso e que no decorrer da votação irão ver a diferença.
      Depois de todos os nomes escritos no quadro, a turma então escreveu no papel o nome desejado. Algumas crianças se mostraram decepcionadas por não terem escolhido sua sugestão de nome.
      Por fim, o nome Hanna Montanna ganhou com três votos. Então apresentei os nomes empatados pela turma da manhã e pergunto se gostariam de realizarem outra votação com o nome escolhido pela outra turma.
      A resposta é sim, já que muitos não gostaram do nome escolhido, dessa forma na segunda-feira iremos escolher o nome final.
      Em seguida, lembramos como aconteceu a última votação e explicamos para Gustavo que não estava presente.
      Qual é o nome escolhido pergunto. “Hanna Montanna” dizem ao mesmo tempo. Escrevo no quadro os dois nomes escolhidos, Hanna Montanna e Totó, perguntando se são nomes de menina ou menino.
      Dizem: “Hanna Montannna é de menina e Totó parece de menino” responde o grupo. Sugiro ao grupo, pesquisarmos para saberem se a borboleta é macho ou fêmea.
      Mariana diz: “na internet”, Matheus “no notebook”, Bianca “pode ser amanhã? É que hoje minha mãe tem faculdade”. Combinamos com o grupo quem pudesse ter a ajuda dos pais, poderiam trazer a pesquisa.
      O desenvolvimento dessa atividade foi muito animador. O grupo participou ativamente do início ao fim, torcendo a cada voto e no final festejaram o nome escolhido. 


Análise das espécies de borboletas



      Apresentamos ao grupo, imagens de borboletas de várias espécies, destacando cores, formas, camuflagem e características que diferenciam os machos das fêmeas, respondendo assim uma das dúvidas do grupo. Nesse primeiro momento, o grupo explorou as imagens citando o que mais chamou a atenção.

O que a turma aprendeu:
      Assim que o grupo chegou percebeu a imagem da borboleta que estava fixada no chão da sala. Na roda da conversa, distribuí outras imagens sugerindo a colagem das mesmas pelo chão, como solicitou o grupo do Matutino.
      Questionei como saberemos quais são machos e quais são fêmeas. Lembrei então da proposta da pesquisa feito anteriormente, leio para o grupo o que haviam pesquisado sobre as características de diferenciação de machos e fêmea.
      Conforme a turma fixava as imagens pelo chão, faziam comentários ao observá-las. Gustavo disse: “olha a asa, é fêmea porque tem rosa e azul”. Luiz Gustavo concordou e falou que a dele também é fêmea.
      Bianca achou que a borboleta que estava em suas mãos é fêmea por que é da cor laranja. João Lucas disse: “é macho por que têm branco e castanho”. Joares comenta: que a sua borboleta é macho “por que têm branco e preto”. Lucas também diz que é macho porque as asas são da cor azul. Já Mariana ficou na dúvida. Solicitei que o grupo a ajudasse e a opinião foi unânime, “fêmea por que tem roxo”. Isabeli falou: “é macho por que tem azul, branco e preto”. Já Gabriel também achou que a sua borboleta é macho por que as asas são amarelas. Victor Hugo também diz que a borboleta que estava fixando no chão é macho devido, a cor laranja das asas.
      Julio César, Milena, Letícia, Olívia, Ésdras, Maria Heloiza e Maria Eduarda dizem que suas borboletas são fêmeas porque possuem cores como roxo, laranja, vermelho ou são coloridas.
      Matheus e Brayan possuem imagens com duas borboletas. Perguntei: “e as suas”? “é um macho e a outra é fêmea” diz Brayan. “E qual é macho e qual é fêmea”? Insistindo em uma resposta completa. Ele responde: “ele é o marrom e a fêmea é a colorida”. Matheus concordou dizendo que as suas também. Discordei e disse que as borboletas são iguais, ou seja, as duas são coloridas. Matheus apontou para uma delas e complementando sua teoria falou: “essa é macho por que tem mais preto”.
      É surpreendentes como as cores influenciam nas conclusões das crianças que acabam sendo levadas a acreditar que existem, de acordo com a fala da turma, “cores de menina e cores de menino”. De fato o que existem são apenas cores, que podem ser usadas da forma que cada um deseja, independente da idade, sexo ou classe social.

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